"Não irei avante
Se não sentir-me convidado
Ou se por um instante
não sentir-me ao teu lado.

É raro me ver tão pleno,
Audacioso, revitalizado...
E provar de um veneno
Tão doce me parecia errado.

Fragilizaste minhas rimas,
meus versos se desencontraram.
Parece que por ti, menina,
Meus ossos se inflamaram.

São teus olhos e lábios,
Que me observam distante,
Que me revelam em segredo
Os mais profundos desejos de amante.

Cura a alma, enquanto corre o rio,
Escorre a calma, me preenchendo o vazio.
Do amor nada espero, mas canto e me encontro.
Enquanto espero ardente a hora do reencontro."

R. N. S.


Que desespero louco para rever-te,
Reler-te...
Querer-te é cotidiano
Um bilhete vou rabiscando

Para que meus versos acabrunhados
Se mostrem desordenados...
É a loucura que me assalta e
Que em meio à madrugada,
faz querer-te bem aqui...

Pensamento profano...
Em mim insiste o medo do engano
Em vorazes sonhos me banho
Confundindo-me como algo mundano

São esses olhos
Tua boca que
Ainda ressecada
Deseja os lábios meus

Estes que já não são mais meus
Pois teus decidiram ser
E sem querer em tua verdade penetrei
Rasgando minh'alma, segura te encontrei

Outrora sim, o medo me desfez
Porém, agora não...
Será desta vez
Que com medo de errar, acertarei?

Do destino aceitarei,
como surpresa noturna
Dos autores ocultos
Tua doce brandura, venerada no escuro

Pois vem de teus olhos as certezas que tanto busquei
E foi em teus lábios que enfim saciei
O clamor de meu peito, que pro amor não tinha mais jeito,
Porém por ti, novo jeito se fez!

R. N. S.

"Limpei os olhos tentando enxergar
em tuas ilusões o porque de te amar...
Mas desisti!
Não há razão em insistir!

Vou parar e respirar!
Enquanto tento resistir,
Vou te decifrar...

Queria seguir, ir e vir...
Sem a necessidade de esperar!
Talvez escolher e sobreviver...
às ilusões líquidas do amor!

Pois não há pudor em tuas mentiras!
Elas são trágicas, mesquinhas...
São doces como a foice da morte!

Teus olhos são armadilhas nas quais me perco
E por vontade própria eu deixo
que se cumpra o plano vil
para que caia a máscara que nunca caiu!

Teus lábios são laços que amarram
as mais ingenuas intenções que possuo.
Mas, sem perceber, quero você
e sendo nada te entrego tudo!"

R. N. S.


"É apenas minh'alma, menina, inspirada pelo teu riso...
evitei de início, mas o momento me pediu coragem!
Me doei na passagem e o resto se cumpriu...
simplesmente surgiu...

... o beijo aconteceu!
Nenhum dos dois adormeceu, o dia amanheceu...
Mas ainda sinto nos lábios a tua presença.

E mesmo que eu não entenda, parece que ainda te tenho aqui comigo... 
Pois, além de amigo, tornei-me amigo além...
e te querendo comigo aprendi a querer-te bem... muito bem!"



R. N. S.

"Metade de mim é Jaboticaba,
a outra... Pitanga!
Metade de mim disfarça,
a outra... engana!

Na trama farta dos falsos danos,
As metades se desvairem
restando apenas os enganos.

Como singelo ato de um ser sincero
São lançados a baixo
os sonhos e desejos inquietos.

E entre sonhos incompletos,
Repletos de alma nua,
Sou frágil força teimosa
Cujos poemas se perdem nas ruas.

É manhã!
E tuas manhas já são conhecidas,
são explicitas como mangas
de origem desconhecida.

E da fraqueza tua
revela-se a força minha
que, de tão mesquinha,
se arrasta sob si mesma.

É como lesma
sobre frutas frescas recém-colhidas
que nas idas e vindas
destrói a beleza das cores

Antes fosse!
De mesquinha que és
Não houve preocupação
e como lesma apodreceste meu coração!"

R.N.S.


"De cortesia na alma branda,
causava disritmia com sua manha.
Um descompasso casual
que,vez por outra, me causava mal.

Era surreal esquecer seus olhos e sorrisos,
jeito solto e louco que sempre era bem-vindo...
Revê-la já não me causa espanto, não tanto quanto achei que causaria.

Talvez seria... se dos olhos ainda fosse escravo,
mas hoje sou simples e pacato
como quem perdera algo incomparável ao ponto de morrer por dentro.

Pois, entre lamentos dois ou três poemas me surgem,
quando dos olhos me lembro, e bem lá dentro sinto algo clamar...
por misericórdia implorar... afim dos teus olhos encontrar!
São cores que me pintaram a alma, hoje são memórias caras que me tentam sem cessar...

São azuis de céu e praia, e olhos que se desverdeiam de forma rara pra minh'alma matar...
Tardes se foram, noites também...
Mas em mim a lua habita, com um certo desdém!"

R. N. S.


"Eu sei que nos teus lábios não seria mais que um trago num cigarro qualquer...
Que você jamais pensaria em um dia ser a mulher
 a qual devotaria todos meus versos.

Mesmo dispersos, ainda insisto em fazer memória tua,
ainda que eu não a tenha visto de alma nua,
num desses encontros que eternizam um momento...

Pois, esse sorriso e olhar de menina doida,
com esses cachos que me fazem pensar em mil coisas,
estão roubando minha horas de sono...

Então eu componho...
 Imaginando a hora do nosso novo encontro,
enquanto rezo pra te ver em um sonho
E te dizer o quanto você é linda... Ah, menina!

Enquanto isso, eu vou deixando minh'alma voar
até a praia em que você está,
pra que ela veja se é fogo de palha,
ou se é fogo que queima com rara calma,
só pra arder junto a ti..."

R. N. S.