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Eu respeito teu tempo,
teu sono, teu senso...
Teu choro, teu pranto
já não me causam espanto

Pois de ti conheço
apenas o nome e o endereço
E o doce apreço
que de mim ainda roubas.

Não me causes mais danos
pois já fui muito enganado
não tragas mais enganos
deste inferno já sou danado

Da tentação de teus lábios
à danação de tua ausência
é condenação para solitários
abandonados por tua má essência

R. N. S.

Não é que a vida não me caiba
ela até cabe em mim
de forma rara e calma
faz dos fatos melodia em Sí.

Desarmoniza algumas vezes
e na maioria das vezes desafina
Destina notas bemóis,
mas não dói como coração de menina.

Ouço alguém dizer: acorda!
Prefiro acordes, mas não demores...
Para que não seja a melodia da vida
em acordes menores!


R. N. S.


"Olha você, mais uma vez se escondendo do surreal!
Mais uma vez pretendendo tornar real,
aquilo que se quer existiu!

Depois que sumiu, se arrependeu...
Trouxe consigo uma tarde de adeus,
E, de tanto procurar desculpas, de mim se perdeu!

Agora não mais...
Agora não há mais tempo para ser perdido.
Sou eu que direi jamais e terei partido
antes que se lembre que um dia me teve iludido.

Passou como uma bela tarde,
uma tarde que de rara se fez chuvosa
Na realidade era tão perigosa
Que me fez saber das lágrimas que possuo...

Mas a tarde passa...
A chuva passa e o solo se aquece...
Porém o tempo passa...
E você, de mim se esquece?"

R. N. S.


"Ela tinha cabelos de por-do-sol
E usava batom vermelho.
Pele branca, um tanto pálida,
Que divinizava seu espelho!

Era serena e bela.
Não havia beleza como aquela!
Seu jeito único de ser diferente
prederam meus olhos sobre ela!

Os olhos agatinhados,
pra não causar muito estrago,
se desviaram rapidamente
com seu nariz arrebitado.

Dama do fogo,
cuja beleza é constante modificação,
me prende de novo
com os mistérios do seu coração!

Feiticeira da rara calma,
que singela se faz desejo,
Vem! E acalma minha rara alma!
Dá-me as cinzas de teus beijos!

Pois mendigo teus olhares,
Teu jeito sóbrio de ser mulher.
Grito em silêncio para notares
A prisão de teu Fire Ombré."

R. N. S.


"E lá vem chuva!
Cedo ou tarde ela virá!
Antes que o sol se retire...
Ainda à tarde cairá!

Não me retorne os sentidos!
Não me dirija a palavra!
Não me recorde seus gritos!
Não me leve a sua casa!

Pois de mim se atrevem,
Os beijos mais sãos,
Serem leves e breves
Nos desejos do coração.

Sabe-se lá se algum dia,
Como uma longa canção,
Terá perdurada alegria
habitando meu coração.

E dentre versos tardios,
Recolho-me ao lê-los.
Pois me parecem sombrios,
Se incham de erros!

Já não reconheço o que falo!
E se falo não vejo!
Pois o céu fica mais claro,
Somente quando escrevo.

E nos brindes que tardam,
Nesta tarde trarei,
Uma profunda coragem
Que outrora roubei!

Escorre minh'alma,
pois é água caída.
Não retornes mais nada,
Já sou tarde que finda."