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Sou indefinição primeira
Causa derradeira das loucuras em minha mente
Sou passado para quem queria ser presente
E presente para quem quero ser passado

Por outro lado, nunca julgo
Mas me confundo com os tempos indeterminados
Quisera eu que meu coração tão desmantelado
Pudesse enfim descobrir-se aquariano

Hora é pisciano, hora é dormente!
Mas pela hora em que nasci, o problema é o ascendente.
Alegria constante, sofrimento latente.

Conjugaria o amor, se acaso existisse.
Mas em qual tempo seria?
Passado, Presente... No futuro estaria?
Não sei! Continuo me conjugando para encontrá-lo algum dia.

R. N. S.

Musa de minha insônia,
me deixas em claro e logo me abandonas.
Rouba-me o sono e os sonhos...

Inquieta minh'alma, assalta-me a paz.
Transborda discreta,
Inquieta se faz.

Em breves versos te quis por um instante
Pois nem a lua de mim se faz tão distante.
Mas insistes de mim afastar-se para longe...
Eu silencio e te contemplo, piedoso como um monge.

Mas se por um instante te descuidas
E de mim deixas de ser ausente
Juro que tudo muda
E mesmo distante, ainda seria presente.

R. N. S.

"Declaro pros devidos fins de direito
que mesmo com seus defeitos,
teus efeitos me fizeram te amar.

E por fim quisera, mesmo sem pressa
em trégua cessar, sorrir, chorar...
Nos devaneios meus de sensações absurdas,
Quasímudas, meu corpo atrofiar.

Contorcendo-me em prazer,
ousando obedecer o instinto natural.
Embora, jamais, tenha algo igual provado
Foi recordado como memória ancestral.

Doravante são teus beijos que quero
Pois persevero em insistência espiritual
Tocar tua alma nua, linda e crua
E saciar o desejo carnal."

R. N. S.


"Das certezas assombrosas
Prefiro minha mansidão.
Tal como outrora
Quando ainda lhe era solidão.

Porém, não mais
Agora tenho os lábios teus
Ainda digo mais
Agora tens os lábios meus

É como cheiro de laranjeiras
Cujo bairro nunca conheci
Memórias críticas de cor inteira
Que se passam e ficam aqui.

É uma canção ou um poema...
É um bolo, um pão...
É a solução do meu dilema...
É a rima da minha canção.

É o sonho que faz suar o corpo
É o corpo que sua ao sonho
É o gosto do corpo louco
É o louco do gosto em sonho

É o cheiro e o barulho
O incenso e a música zen
É o vento que se enrosca ao muro
E o tempo que nos faz reféns

Deixo aqui o meu testamento
Pois de amores morrerei
Pois não tenho muito tempo
A não ser para um beijo... Dois ou três!"



R.N.S.


Que desespero louco para rever-te,
Reler-te...
Querer-te é cotidiano
Um bilhete vou rabiscando

Para que meus versos acabrunhados
Se mostrem desordenados...
É a loucura que me assalta e
Que em meio à madrugada,
faz querer-te bem aqui...

Pensamento profano...
Em mim insiste o medo do engano
Em vorazes sonhos me banho
Confundindo-me como algo mundano

São esses olhos
Tua boca que
Ainda ressecada
Deseja os lábios meus

Estes que já não são mais meus
Pois teus decidiram ser
E sem querer em tua verdade penetrei
Rasgando minh'alma, segura te encontrei

Outrora sim, o medo me desfez
Porém, agora não...
Será desta vez
Que com medo de errar, acertarei?

Do destino aceitarei,
como surpresa noturna
Dos autores ocultos
Tua doce brandura, venerada no escuro

Pois vem de teus olhos as certezas que tanto busquei
E foi em teus lábios que enfim saciei
O clamor de meu peito, que pro amor não tinha mais jeito,
Porém por ti, novo jeito se fez!

R. N. S.


"Perdi tempo, mas não me arrependo.
Pois dependendo de ti, a independência proclamei
e já nem sei, se é que soube, o que pensei enquanto houve.

Eu quero que amanheça, quero sair da ilusão.
Quero fugir, tirar da cabeça...
Mas como fazer, se o que insiste está no coração?

Sou poeta de alma rara, que pena e vaga...
E que na madrugada vira assombração.
Dos devaneios teus sou sombra lembrada,
porém rejeitada por branda decisão.

Desejo o calor, não mais o teu.
Desejo o amor, porém o meu.
Quero que o sol aqueça, como o amor.
E que eu te esqueça, sem sentir dor."

R. N. S.