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"Das certezas assombrosas
Prefiro minha mansidão.
Tal como outrora
Quando ainda lhe era solidão.

Porém, não mais
Agora tenho os lábios teus
Ainda digo mais
Agora tens os lábios meus

É como cheiro de laranjeiras
Cujo bairro nunca conheci
Memórias críticas de cor inteira
Que se passam e ficam aqui.

É uma canção ou um poema...
É um bolo, um pão...
É a solução do meu dilema...
É a rima da minha canção.

É o sonho que faz suar o corpo
É o corpo que sua ao sonho
É o gosto do corpo louco
É o louco do gosto em sonho

É o cheiro e o barulho
O incenso e a música zen
É o vento que se enrosca ao muro
E o tempo que nos faz reféns

Deixo aqui o meu testamento
Pois de amores morrerei
Pois não tenho muito tempo
A não ser para um beijo... Dois ou três!"



R.N.S.


"Não irei avante
Se não sentir-me convidado
Ou se por um instante
não sentir-me ao teu lado.

É raro me ver tão pleno,
Audacioso, revitalizado...
E provar de um veneno
Tão doce me parecia errado.

Fragilizaste minhas rimas,
meus versos se desencontraram.
Parece que por ti, menina,
Meus ossos se inflamaram.

São teus olhos e lábios,
Que me observam distante,
Que me revelam em segredo
Os mais profundos desejos de amante.

Cura a alma, enquanto corre o rio,
Escorre a calma, me preenchendo o vazio.
Do amor nada espero, mas canto e me encontro.
Enquanto espero ardente a hora do reencontro."

R. N. S.

"Limpei os olhos tentando enxergar
em tuas ilusões o porque de te amar...
Mas desisti!
Não há razão em insistir!

Vou parar e respirar!
Enquanto tento resistir,
Vou te decifrar...

Queria seguir, ir e vir...
Sem a necessidade de esperar!
Talvez escolher e sobreviver...
às ilusões líquidas do amor!

Pois não há pudor em tuas mentiras!
Elas são trágicas, mesquinhas...
São doces como a foice da morte!

Teus olhos são armadilhas nas quais me perco
E por vontade própria eu deixo
que se cumpra o plano vil
para que caia a máscara que nunca caiu!

Teus lábios são laços que amarram
as mais ingenuas intenções que possuo.
Mas, sem perceber, quero você
e sendo nada te entrego tudo!"

R. N. S.


"É apenas minh'alma, menina, inspirada pelo teu riso...
evitei de início, mas o momento me pediu coragem!
Me doei na passagem e o resto se cumpriu...
simplesmente surgiu...

... o beijo aconteceu!
Nenhum dos dois adormeceu, o dia amanheceu...
Mas ainda sinto nos lábios a tua presença.

E mesmo que eu não entenda, parece que ainda te tenho aqui comigo... 
Pois, além de amigo, tornei-me amigo além...
e te querendo comigo aprendi a querer-te bem... muito bem!"



R. N. S.


"De cortesia na alma branda,
causava disritmia com sua manha.
Um descompasso casual
que,vez por outra, me causava mal.

Era surreal esquecer seus olhos e sorrisos,
jeito solto e louco que sempre era bem-vindo...
Revê-la já não me causa espanto, não tanto quanto achei que causaria.

Talvez seria... se dos olhos ainda fosse escravo,
mas hoje sou simples e pacato
como quem perdera algo incomparável ao ponto de morrer por dentro.

Pois, entre lamentos dois ou três poemas me surgem,
quando dos olhos me lembro, e bem lá dentro sinto algo clamar...
por misericórdia implorar... afim dos teus olhos encontrar!
São cores que me pintaram a alma, hoje são memórias caras que me tentam sem cessar...

São azuis de céu e praia, e olhos que se desverdeiam de forma rara pra minh'alma matar...
Tardes se foram, noites também...
Mas em mim a lua habita, com um certo desdém!"

R. N. S.


"Eu sei que nos teus lábios não seria mais que um trago num cigarro qualquer...
Que você jamais pensaria em um dia ser a mulher
 a qual devotaria todos meus versos.

Mesmo dispersos, ainda insisto em fazer memória tua,
ainda que eu não a tenha visto de alma nua,
num desses encontros que eternizam um momento...

Pois, esse sorriso e olhar de menina doida,
com esses cachos que me fazem pensar em mil coisas,
estão roubando minha horas de sono...

Então eu componho...
 Imaginando a hora do nosso novo encontro,
enquanto rezo pra te ver em um sonho
E te dizer o quanto você é linda... Ah, menina!

Enquanto isso, eu vou deixando minh'alma voar
até a praia em que você está,
pra que ela veja se é fogo de palha,
ou se é fogo que queima com rara calma,
só pra arder junto a ti..."

R. N. S.

No embaraço de teus cachos quero me perder,
como quem perde a vergonha e resolve escolher,
arriscando a sorte de mais um engano encontrar
e me enrolar em muitas voltas ou duas...

Dos cabelos e coisas tuas que prefiro evitar
e se um dia puder falar, vou querer viver...
Pois é bem melhor arriscar e sofrer,
do que apenas falar e morrer.

Quero da boca tua ser tão real quanto o beijo desejado,
poder existir ao teu lado e por fim ser um,
coisa comum como o sol que morre a cada tarde
mas renasce na aurora sem alarde...

Quero ser eterna volta em tua cabeça,
cacho que te faz pedir que enlouqueça,
que encrespa se não cuidas,
seja morena, loira ou ruiva!

Pois tua beleza é singular e natural...
e com tantas cores te fazes surreal,
imaginando os sabores teus, unidos aos desejos meus,
só me lembro dos cachos... daqueles cachos teus!



"Hoje, uma pergunta me inquietou após me assaltar a mente...

foi algo de repente, que me preocupou de forma singular e,
sem exitar, parti em busca da paz.

Foi diferente! Aliás, próprio de minha mente que,
entre tantos que mentem, a mentira resolveu desapropriar...
Será que sou lúcido? Ou não passo de um ser lúdico,
do qual os outros gostam apenas de gargalhar?

Teria eu herdado as loucuras que vejo entre os meus?
Seria meu sangue tão escuro como o breu?
Se sou, sei que tenho me lapidado
e no mínimo tenho me tornado um ser estranho...

Mas, quais são os ganhos que tive?
Quais méritos obtive?
Não fui forte, nem imenso, nem fraco, nem intenso...
Apenas fui o que sou e serei o que fui!

Ainda que insistam em fazer de mim caricatura,
prefiro ver sorrir os que se acham esculturas...
Pois sou frágil como papel, mas provoco risos semelhantes ao céu.

Enquanto a ti, cujo espírito é pedra,
o destino é ser forte, ser coisa que não quebra
e mendigar atenção dos mil olhares de almas banguelas."



R. N. S.


Fragmento escrito originalmente no grupo "Fábrica de Fragmentos - Whatsapp"
às 18:36h do dia 24 de março de 2015
(No Ônibus)



"De suas incertezas, renunciarei os aplausos...
Não hei de rever seus olhos ou beijar seus lábios,
nem compor trovas enfeiando pavões,
não buscarei provas para calar os meus trovões.

Pois a mim foi negado o destino dos nobres em canções,
mas a mim foi dado o dom de magoar os pobres corações...
Dos mortais viventes serei sombra sobre a luz,
não me sangrarão sobre seus altares vãos,
nem me pregarão em sua torta cruz...

O martírio de minh'alma fortalece quem eu sou,
não fugirei de mais nada, muito menos de seu amor...
Porém, tolo me fiz, todo me dei,
mas tudo que quis, jamais terei."


R. N. S.


Fragmento escrito originalmente no grupo "Fábrica de Fragmentos - Whatsapp"
às 19:42h do dia 20 de março de 2015


Eu a odeio por não tê-la comigo,
odeio por ela não querer que eu a tenha aqui,
odeio por ela não me querer com ela,
a odeio por não querer...

Mas o que seria de minha poesia,
se vivesse em plena alegria e por alguém não sofresse,
ou fingisse, ou vivesse, ou partisse, ou morresse?

Não é que o mérito lhe dá direitos sobre meu peito,
o coração é canhoto, é teimoso, oco...
escolhe passar por caminhos difíceis
e se afundar nas imundices de sentimentos artificiais.
Ainda digo mais...

Não é que a loucura me tenha assaltado,
quero que se dane o que de mim penam os laudos.
Pois mesmo que seja crime, prefiro ser acometido por isso
do que ser vitrine de um alguém imortalizado.
Que meus versos por mim falem, e que se calem os mal-amados!"


R. N. S.


Fragmento escrito originalmente no grupo "Fábrica de Fragmentos - Whatsapp"
às 23:00h do dia 18 de março de 2015.


"Como é bom se apaixonar...
transcrever suspiros, registrar olhares,
ter pensamento fixo estando em vários lugares...
Sorrir no verão do sentimento,
sofrer no inverno com os próprios lamentos,
fingir não sentir falta, ser poeta por algum tempo...
e depois de poeta, fazer-se mortal,
e como tal fugir deste sentimento,
que por mais que nos roube lágrimas,
não há outro que nos faça falta igual...
Assim me disse um poeta..."

R. N. S.



Fragmento escrito originalmente no grupo "Fábrica de Fragmentos - Whatsapp"
às 03:11h do dia 18 de março de 2015.